PINAB - Práticas Integrais de Promoção da Saúde e Nutrição na Atenção Básica
Programa de Extensão em Educação Popular, Promoção da Saúde e Segurança Alimentar e Nutricional. Ação compartilhada com as comunidades Boa Esperança, Jardim Itabaiana e Pedra Branca, em João Pessoa-PB, e com trabalhadores da Unidade de Saúde da Família Vila Saúde. Vinculado ao Dep. de Nutrição/CCS e ao Dep. de Promoção da Saúde/CCM da UFPB.
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terça-feira, 23 de junho de 2026
32º Encontro do Observatório de Educação Popular em Saúde e Realidade Brasileira, com tema "Fazendo Educação Alimentar e Nutricional na Atenção Primária à Saúde: Contribuições da Educação Popular"
quinta-feira, 11 de junho de 2026
Educação Popular: ontem, hoje e amanhã
"Educação Popular: ontem, hoje e amanhã", uma reflexão de um educador popular.
Definir a Educação Popular é um desafio complexo, dado o seu caráter aberto e fluido. Inspirando-me nas formulações do professor José Francisco de Melo Neto (UFPB), compreendo-a como um fenômeno de ensino-aprendizagem dotado de uma intencionalidade política nítida: a emancipação humana, especialmente daqueles e daquelas que vivenciam processos de exclusão, vulnerabilidade e opressão. Centralmente, daquelas e daquelas que vivem de seu trabalho.
Essa práxis adota como pressuposto fundante, para sua realização, o mergulho na realidade social e o estabelecimento de vínculos humanos autênticos e significativos por meio da convivialidade no e com o território e o contexto de atuação.
É por meio dessa imersão que educadores e educadoras identificam as questões geradoras locais, garantindo que o processo educativo responda diretamente às demandas concretas do território e/ou do contexto. Trata-se de uma construção horizontal, feita com as pessoas, distanciando-se de posturas centradas na transmissão de conhecimentos, tampouco voltadas à imposição de normativas e condutas padronizadas, ditadas tecnicamente, e impostas aos modos de viver das pessoas.
Pela Educação Popular, o papel do conhecimento científico e técnico profissional, sobretudo pela formação da academia, é somar-se às lutas coletivas já existentes para, de forma dialógica, compreender a realidade e formular o que Paulo Freire denomina "inéditos viáveis". Esse processo exige uma participação genuinamente protagonista da comunidade nessa construção, a qual é, necessariamente, fluída e dinâmica, conflitada por diferentes dimensões e elementos agregados pela profunda complexidade do mundo mesmo.
Nossa compreensão sobre essa dinâmica somente se materializa com a experiência concreta que possamos estar desenvolvendo no concreto vivido, ou seja, no cotidiano e nos territórios da vida. Ou seja, apenas aprende-se Educação Popular quando se desafia, efetivamente e afetuosamente, a construir a Educação Popular.
Minha aproximação com a Educação Popular ocorreu na graduação em Nutrição na UFPB, por meio da extensão universitária, junto à comunidade Maria de Nazaré e ao Projeto Educação Popular e Atenção à Saúde da Família. Inicialmente, como estudante de Nutrição no início do curso, questionava minha capacidade técnica de intervir. Mais do que isso, questionava a utilidade mesma de qualquer iniciativa minha junto àquela realidade. A falta de conhecimentos técnicos apurados fazia sentir-me, de certo modo, "inútil". Contudo, a imersão comunitária revelou que as demandas de saúde e alimentação emergem da própria complexidade da vida cotidiana (relações familiares, moradia, vulnerabilidades sociais) e não da patologia isolada.
Recordo-me de certa ocasião onde uma moradora que acompanhava, e que estava com hipertensão e diabetes, me solicitou uma conduta dietética. Mesmo sem ter cursado a disciplina de dietoterapia na época, a demanda concreta me impeliu a buscar o referencial científico junto a docentes e à literatura para mediar, junto com minha companheira de comunidade, as soluções para suas necessidades e demandas. Procurei a ciência para colaborar com a construção de um viver melhor e com mais dignidade junto com aquela senhora a quem tanto admirava e com que já tecia um forte vínculo humano.
Esse episódio ilustra a produção do conhecimento científico mobilizada pelas demandas reais da sociedade — um alinhamento epistemológico que a Educação Popular viabiliza com excelência.
Historicamente, a instituição acadêmica se consolidou a partir da negação do saber popular, negligenciando o que Paulo Freire denominou como "saber de experiência feito". A experiência é o fundamento da nossa trajetória civilizatória; a humanidade evoluiu substancialmente por meio de vivências sociais e históricas, aprendendo com os próprios erros e refinando suas práticas coletivas. Portanto, relegar a experiência a um plano de menor relevância é um equívoco epistemológico contemporâneo.
Contudo, é fundamental ressaltar que o saber empírico não é infalível nem detentor de uma verdade absoluta. Ele deve, necessariamente, submeter-se ao crivo da crítica e da autorreflexão. Nesse cenário, reside o papel essencial da academia, ajudada pela concepção da Educação Popular: mediar a análise crítica da experiência sem desestruturá-la, mas sim identificando e lapidando suas potencialidades para que ela seja significativamente potencializada.
Cada vez mais, nos últimos anos, muitas pessoas têm procurado a Educação Popular, ou mesmo se inserido em diversas práticas, movimentos e iniciativas nessa sentido. Venha você também conhecer, aprender, propor, criticar, somar, diversificar e pintar com cores vivas, e com muita mobilização, esse empolgante e instigante campo teórico, ético, político e metodológico de experiências educativas.
Embora antiga, e remontando, de forma mais estruturada e sistematizada, desde os anos de 1950, especialmente na América Latina, tendo como referencia central Paulo Freire, mas também muitos outros autores e outras autoras, do campo acadêmico e dos movimentos sociais, a Educação Popular ainda tem provocantes interfaces, diálogos e bons conflitos para travar em diferentes áreas e temáticas. Desafie-se também a pensar nosso campo e, com isso, propor novos horizontes e possibilidades para as lutas sociais dos movimentos populares e para a humanização e criticidade das políticas públicas, na defesa intransigente da democracia na capilaridade mesma de nossos territórios e espaços de ação educativa, social, cultural e política.
- Pedro José Santos Carneiro Cruz
Departamento de Promoção da Saúde, CCM e PPGE/CE/UFPB.
Observatório de Educação Popular em Saúde e Realidade Brasileira
Grupo de Pesquisa em Extensão Popular (EXTELAR)/NUPLAR/PROEX/UFPB
11/06/2026
quarta-feira, 22 de abril de 2026
LANÇAMENTO DE LIVRO EM EDUCAÇÃO POPULAR, COM DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
quarta-feira, 15 de abril de 2026
COMUNICADO: RESULTADO DA SELEÇÃO do Curso de Extensão e Formação: Educação Popular em Saúde no SUS: Fundamentos e Práticas (3ª Edição)
O Programa de Extensão e Pesquisa “Práticas Integrais de Promoção da Saúde e Nutrição na Atenção Básica” (PINAB/UFPB) torna pública a relação de candidatos(as) selecionados(as) para a terceira edição do curso.
Acesse a lista de candidatos(as) aprovados(as) através do documento anexado no link abaixo.
RELAÇÃO DOS CANDIDATOS(AS) APROVADOS(AS)
Os nomes não constantes na presente relação infelizmente não tiveram sua carta de intenção aprovada, de acordo com os critérios estabelecidos na chamada de inscrição. Caso deseje solicitar uma revisão, o(a) candidato(a) deve enviar um e-mail para: curso.pinab@gmail.com
Informações Importantes:
Início das aulas: 17 de abril de 2026.
Horário: 15h00 às 17h00 (via remota).
Orientações de acesso: Os links para as salas virtuais serão enviados para os e-mails cadastrados no ato da inscrição.













